PSICHOPATHY CHECKLIST-REVISED (PCL-R)

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(PCL-R)
 

É o instrumento que esta ganhando aceitação na América do Norte e Europa. O PCL-R – uma metodologia elaborada pelo psicólogo canadense Robert D. Hare pioneiro em estudos de psicopatia.

PCL-R é uma ferramenta de diagnóstico utilizado para avaliar tendências  comportamentais antissociais e psicopatia de uma determinada pessoa.

Ela foi originalmente concebida para avaliar pessoas acusadas ou condenadas por crimes. A PCL-R é composta por um questionário de 20 quesitos que permitem avaliadores qualificados examinarem um indivíduo e aferir o grau de psicopatia com base em um psicopata protótipo.

A lista de verificação criada por Robert D. Hare tem como meta principal o diagnóstico clínico de psicopata, para fins de investigação ou jurídico. Ela foi desenvolvida no início dos anos 90, primeiramente como teste para aferir o grau de tendências psicopata de uma determinada pessoa. Este novo instrumento (PCL-R) busca um espaço nos tribunais e outras instituições como indicador de risco potencial representado por indivíduos em liberdade ou presos. Os resultados de alguns exames já foram utilizados em contextos forenses como um fator na decisão sobre o tamanho e tipo de penas de prisão, e também o padrão de tratamento que esses indivíduos devem ou não receber (U.S.A, Canadá e Europa).

Obviamente devemos ter algumas precauções, pois uma vez que uma pessoa é diagnosticada como psicopata isso traz sérias implicações para o indivíduo como também para seu circulo de relacionamento familiar e social. Sugere-se que os aplicadores tenham uma boa formação profissional (Mestres e Doutores) em um campo da ciência médica, comportamental e social. Outra recomendação é que o profissional já tenha trabalhado com criminosos desse perfil.

DESCRIÇÃO E APLICAÇÃO DA PCL-R

O Hare PCL-R contém duas partes, uma entrevista semi-estruturada e uma revisão dos registros do sujeito: arquivo e história. Durante a avaliação serão aplicados 20 escores clínicos que tem por objetivo central aferir a personagem psicopata. Os itens aferidos abrangem a natureza das relações interpessoais do sujeito, o seu envolvimento afetivo ou emocional; respostas a outras pessoas e situações, provas de desvio social e estilo de vida. Portanto, o material inclui dois aspectos fundamentais que ajudam definir o psicopata: vitimização egoísta e sem consternação com outras pessoas, e um estilo de vida instável e anti-social.

  • Uma parte da entrevista de avaliação envolvente uma pesquisa do assunto mencionado. Deve-se incluir itens como: trabalho, histórico escolar, contexto familiar e criminal. Tal precaução se deve ao fato que os psicopatas mentem com frequência e facilidade, as informações que fornecem devem ser confirmadas com um exame de documentos da história do sujeito em tela.

CARACTERÍSTICAS AVALIADAS (Lista com os vinte sintomas a serem avaliados pela PCL-R)

1) Encantamento simplista e superficial;

2)Auto-estima grandiosa (exageradamente elevada);

3) Necessidade de estimulação;

4) Mentira patológica;

5) Astúcia e manipulação;

6) Sentimentos afetivos superficiais;

7) Insensibilidade e falta de empatia;

8) Controles comportamental fraco;

9) Promiscuidade sexual;

10) Problemas de comportamento precoce;

11) Falta de metas realistas a longo prazo;

12) Impulsividade;

13) ações próprias;

14) Incapacidade de aceitar responsabilidade diante de compromissos;

15) Relações afetivas curtas (conjugais);

16) Delinquência juvenil;

17) Revogação de liberdade condicional;

18) Versatilidade criminal;

19) Ausência de remorso ou culpa;

20) Estilo de vida parasitária.

PONTUAÇÃO PCL-R

  • Resultados: quando devidamente preenchido por um profissional qualificado, o PCL-R fornece um escore total que indica quão perto o assunto coincide com o “padrão” de pontuação que um psicopata clássico (um protótipo). Cada um dos vinte itens é atribuída uma pontuação de 0,1 ou 2 com base no assunto que esta sendo testado. Um psicopata prototípico iria receber uma pontuação máxima de 40, enquanto alguém com ausência de traços de psicopatia recebem uma pontuação de zero. Uma pontuação de 30 ou acima é classificada com diagnóstico de psicopatia. Pessoas sem antecedentes criminais, normalmente pontuam em torno de . Muitos criminosos não psicopatas pontuam em torno de 22.
  • Nota de advertência: A PCL-R é um instrumento complexo para uso clínico profissional. Não deve ser usada de forma banal para analisar a si mesmo ou a outrem. Pessoas que não são psicopatas podem ter alguns dos sintomas descritos anteriormente. Muitas pessoas são impulsivas, simplistas, frias, insensível, apresentando comportamentos anti-sociais, mas isso por si só não é certeza de que elas são psicopatas. Psicopatia é uma síndrome – um conjunto de sintomas relacionados. E para aqueles que forem diagnosticados como psicopatas praticamente não existe possibilidade de recuperação, é extremamente improvável, a ponto de ser impossível.

* Melhores informações podem ser obtidas em: http://www.hare.org

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EU NÃO SABIA…

Dilma era moça bem pacata

Depois arrumou uma metr@lha

Para lutar pela democracia

Mas foi se meter co’a Petr@lha

Com um que “não saber”, dizia

Agora vive tensa e aparvalhada

Sem ter imaginado em que se meteria!

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Texto da Imprensa do Canadá sobre Dilma Rousseff

 

 

Abaixo a tradução do texto original publicado no Canadá.

Vale a pena uma leitura.

A pergunta essencial que ninguém fez foi a seguinte: Se Lula, de fato, quisesse eleger uma mulher com origem humilde e vencedora como ele, teria escolhido a Marina Silva. Por que então uma mulher de origem burguesa, de família búlgara, autoritária, odiada por muitos membros do partido, confusa, sem discurso próprio e sem qualquer experiência eleitoral????

 

O PURGATÓRIO BRASILEIRO ESTÁ PRESTES A COMEÇAR.

A triste verdade sobre as próximas eleições no Brasil é que não será decidida com base em princípios ou valores. Ninguém se importa se Dilma Roussef tenha assassinado ou roubado. É apenas o populismo na forma mais cruel. Ela é a senhora Lula. Os pobres se beneficiaram um pouco do fim da inflação e se esqueceram que esta situação foi herdada por Lula.

O interessante é que o Partido dos Trabalhadores não é comunista, nem o que auxilia os trabalhadores. IBGE, a principal instituição de estatística no Brasil, acaba de lançar a informação dando conta que o analfabetismo no Brasil aumentou, durante o reinado de Lula.

O saneamento básico está no mesmo nível que era no momento da sua coroação. 50 mil brasileiros morrem mortes violentas, a maioria causados por armas e drogas contrabandeadas para o país pelos terroristas marxistas das FARC, os aliados de Lula. A próxima Copa do Mundo será no Rio de Janeiro. Em contrapartida, o Banco Federal de Desenvolvimento (BNDES) recebeu este ano 100 US$ bi para emprestar às grandes corporações, a fim de “comprar” a sua boa vontade em relação ao governo durante a campanha eleitoral. Os capitalistas recebem o dinheiro com juros no entorno de 3,5% a 7%, enquanto o governo paga 10% a 12% para os bancos. Banco Itaú teve o maior lucro de um banco nas Américas, incluindo os de os E.U.A.

Outros atos de generosidade do governo incluem a distribuição de licenças de TV e rádio para os capitalistas e os políticos, uma rede de TV para os dirigentes sindicais (que fazem um dia de salário dos trabalhadores e não podem ser fiscalizadas – Lula proibi-lo) e os definição dos objectivos de investimento dos fundos de pensão de empresas estatais, na ordem de centenas de bilhões de dólares. Eles podem fazê-lo ou quebrá-lo.

FASCISMO

Esta é uma economia fascista, na sua mais pura definição.Mussolini estaria orgulhoso.

É difícil para o povo a entender como o comunismo mudou a partir de uma utopia social para este fascismo na forma mais primata.O motivo é que eles mantêm a aparência sob o velho charme por causas culturais, como o aborto livre, o casamento gay, o globalismo, o radicalismo ecológico, etc. Assim como na China, dizem-lhe como viver sua vida particular.

Censura ou “controle da mídia” ESTÁ na agenda de Dilma, da mesma forma como se encontra em pleno andamento na Argentina e Venezuela hoje em dia. A pri vacidade fiscal de oponentes Dilma foi quebrada sem consequências. Os direitos fundamentais garantidos pela Constituição nada valem para o Partido dos Trabalhadores e eles estão desafiando os direitos de propriedade. Um grupo de camponeses comunistas, todos financiados e liderados por agitadores profissionais, invadem fazendas, matam pessoas (como o fazem agora) e a questão será decidida por consulta popular, da comuna. Estamos sendo preparados para sermos peões do governo mundial. Prevejo tempos difíceis à frente para o Brasil. Dilma é incompetente e teimosa. A dívida pública do Brasil quase triplicou, e está prestes a explodir, devido às altas taxas de juros. O boom da exportação de minerais e agro-commodities, que impulsionaram a popularidade de Lula, pode acabar a qualquer momento, especialmente se uma crise pesada atingir o dólar.

O nível de tributação no Brasil é um dos mais altos do mundo, com 40,5%, e a burocracia, com 85 diferentes impostos na última contagem, é astronômica. Eles não serão mais capazes de aumentar os impostos para sustentar os vagabundos empregados do governo e a alta corrupção. Quando o governo quebrar, as ajudas sociais que apoiaram a popularidade de Lula estarão em risco.Sem o crescimento das exportações, haverá menos postos de trabalho, e é possível que nós venhamos a ter tumultos e protestos. As coisas têm sempre sido muito fáceis neste país, onde o alimento cresce até nas rachaduras na calçada.

Talvez já esteja na hora de os brasileiros amadurecerem pelo sofrimento. PS: O pai de Dilma era búlgaro.Ele fugiu de seu país porque era comunista perigoso, ativista. Surpreendentemente, no Brasil, tornou-se um capitalista e muito rico. Dilma teve uma vida burguesa privilegiada, vivendo em uma casa grande e estudando em escolas privadas. É sempre muito bom fazer parte da elite comunista.

BRAZIL’S PURGATORY ABOUT TO BEGIN (Original em Inglês para quem quiser conferir)

The sad fact about the next election in Brazil is that it will not be decided based on principles or values. Nobody cares if Dilma Roussef murdered or robbed. It is just populism in the cruelest form. She is Lula’s lady. Poor people have benefited a little from the end of inflation, and they forgot that this situation was inherited by Lula. What is interesting is that the Worker’s Party is neither  Communist nor the helper of workers. IBGE, the main statistical institution in Brazil , has just released the information that illiteracy in Brazil increased during Lula’s reign. Basic sanitation is in the same level as it was at the time of his coronation. 50,000 Brazilians die violent deaths, most caused by guns and drugs smuggled into the country by the FARC Marxist terrorists, allies of Lula. Who cares? I have a cell phone and tv set. The next World Cup will be in Rio. On the other hand, the Federal Development Bank (BNDES) has received this year US$ 100 BI to lend to large corporations, in order to “buy” their good will towards the government during the election year.
The capitalists get the money for 3,5% to 7%, while the government pays 10% to 12% for the banks. Itaú bank had the largest profit of any bank in the Americas , including the ones in the US. Other acts of largesse of the government include the distribution of TV and radio licenses to capitalists and politicians, a TV network for the union leaders (who take one day of salary from the workers and can’t be audited – Lula forbid it) and the definition of the targets of investment of the pension funds from state companies, in the order of hundreds of billions of dollars. They can make you or break you. FASCISM This is a fascist economy, in its purest definition. Mussolini would be proud.
It is hard for the common folk to understand how Communism has changed from a social utopia to this raw fascism. The reason is that they retain the old veneer in cultural causes, such as free abortion, gay marriage, globalism, ecological radicalism, etc. Just like in China , they tell you how to live your private life.

Censorship or “media control” is in Dilma’s agenda, as it is in full course in Argentina and Venezuela today. The fiscal privacy of Dilma’s opponents
has been broken with no consequences. Basic constitutional rights are worth nothing to the Worker’s party, and they are challenging property rights. A bunch of communist peasants, all funded and led by professional agitators, will invade farms, kill people (as they do now) and the issue will be decided by popular acclamation, in a commune. We are being prepared to be pawns of the world government. I predict rough times ahead for Brazil . Dilma is incompetent and stubborn. Brazil ’s public debt has almost tripled and is about to explode, due to to the high interest rates. The boom in the exportation of minerals and agro-commodities that gave Lula’s popularity such boost can end anytime, especially if a heavy crisis hits the dollar. The taxation level in Brazil is one of the highest in the world, at 40,5% and bureaucracy, with 85 different taxes in the last count, is astronomical. They won’t be able to raise tax anymore to support the do-nothings employed in the government and the corruption. When the government crashes, the social aids that supported Lula’s popularity will be at risk. Without the booming exports, there will be fewer jobs, and it is possible that we see riots and protests. Things have always been too easy in this country, where food grows even in a crack in the sidewalk.
Perhaps it is time for Brazilians to mature from suffering. PS: Dilma’s father was a Bulgarian. He fled his country because he was a communist activist.
Surprisingly (?), in Brazil he was a capitalist and very rich. Dilma had a very bourgeois life, living in a large house and studying at private schools. It is always good to belong to the Communist elite.

 

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Personalidade Psicopática e Política

Personalidade Psicopática

Incluído em 19/01/2005

A psicopatologia em geral e a psiquiatria forense em especial têm dedicado, há tempo, uma enorme preocupação com o quadro conhecido por Psicopatia (ou Sociopatia, Transtorno Dissocial, Transtorno Sociopático, etc).

Trata-se de um terreno difícil e cauteloso, este que engloba as pessoas que não se enquadram nas doenças mentais já bem delineadas e com características bastante específicas, a despeito de se situarem à margem da normalidade psico-emocional ou, no mínimo, comportamental. As implicações forenses desses casos reivindicam da psiquiatria estudos exaustivos, notadamente sobre o grupo de entidades entendidas como Transtornos da Personalidade.

O enorme interesse que o psicopata tem despertado atualmente se deve, em parte, ao desenvolvimento das pesquisas sobre as bases neurobiológicas do funcionamento do cérebro em geral e, particularmente, da personalidade. Em outra parte, deve-se também ao enorme potencial de destrutividade de alguns psicopatas, quando ou se tiverem acesso aos instrumentos que a tecnologia e a ciência disponibilizam.

Estudar o potencial da destrutividade humana é bastante interessante e poderá esclarecer certos pontos em comum entre grandes manifestações de destrutividade, como são as guerras, os genocídios, torturas, o terrorismo e, talvez, manifestações incomuns da personalidade humana, baseadas na psicopatologia, na psicologia e nas neurociências.

Lorenz e outros etólogos consideram a agressividade organizada uma aquisição evolutiva que aparece na espécie humana há uns 40.000 anos.

Em sentido social, a agressividade organizada nasceu da necessidade de uma arma de sobrevivência mais eficaz. Nascia assim uma forma especializada de agressão comunitária e organizada, um entusiasmo que agrega o grupo contra um inimigo comum. Uma de suas expressões seria a “paranóia de guerra”, que afeta e afetou populações inteiras. Atualmente pode ser representada também por grupos étnicos, religiosos ou políticos que se unem através de uma conduta agressiva em função de alguma ameaça comum a todos integrantes do grupo (ameaça real ou acreditada).

Devido à falta de um consenso definitivo, esse assunto tem despertado um virulento combate de opiniões entre os mais diversos autores ao longo do tempo. Igualmente variadas também são as posturas diante desses casos que resvalam na ética e na psicopatologia simultaneamente. As dificuldades vão desde a conceituação do problema, até as questões psicopatológicas de diagnóstico e tratamento. Como seria de se esperar, também na área forense as discordâncias são contundentes.

A evolução dos conceitos sobre a Personalidade Psicopática transcorreu, durante mais de um século, oscilando entre a bipolaridade orgânica-psicológica, passando à transitar também sobre as tendências sociais e parece ter aportado, finalmente, numa idéia bio-psico-social que, senão a mais verdadeira, ao menos se mostrou a mais sensata. (veja artigoPersonalidade Criminosa?, uma revisão das dúvidas sobre esse tema)

Historia do conceito
O conceito de Psicopata, Personalidade Psicopática e, mais recentemente, Sociopata é um tema que vem preocupando a psiquiatria, a justiça, a antropologia, a sociologia e a filosofia desde a antigüidade. Evidentemente essa preocupação contínua e perene existe porque sempre houve personalidades anormais como parte da população geral.

Psicopatas pessoas cujo tipo de conduta chama fortemente a atenção e que não se podem qualificar de loucos nem de débeis; elas estão num campo intermediário. São indivíduos que se separam do grosso da população em termos de comportamento, conduta moral e ética. Vejamos a opinião dos vários autores sobre a Personalidade Psicopática ao longo da história.

Cardamo
Uma das primeiras descrições registradas pela medicina sobre algum comportamento que pudesse se identificar à idéia de Personalidade Psicopática foi a de Girolano Cardamo (1501-1596), um professor de medicina da Universidade de Pavia. O filho de Cardamo foi decapitado por ter envenenado sua mulher (mãe do réu) com raízes venenosas. Neste relato, Cardamo fala em “improbidade”, quadro que não alcançava a insanidade total porque as pessoas que disso padeciam mantinham a aptidão para dirigir sua vontade.

Pablo Zacchia (1584-1654), considerado por alguns como fundador da Psiquiatria Médico Legal, descreve, em Questões Médico Legais, as mais notáveis concepções que logo dariam significação às “psicopatias” e aos “transtornos de personalidade”.

Pinel
Em 1801, Philippe Pinel publica seu Tratado médico filosófico sobre a alienação mental e fala de pessoas que têm todas as características da mania, mas que carecem do delírio. Temos que entender que Pinel chamava de mania aos estados de furor persistentes e comportamento florido, distinto do conceito atual de mania (Berrios, 1993).

Dizia, no tratado, que se admirava de ver muitos loucos que, em nenhum momento, apresentavam prejuízo algum do entendimento, e que estavam sempre dominados por uma espécie de furor instintivo, como se o único dano fosse em suas faculdades instintivas. A falta de educação, uma educação mal dirigida ou traços perversos e indômitos naturais, podem ser as causas desta espécie de alteração (Pinel, 1988).

Prichard
Prichard, tanto quanto Pinel, lutavam contra a idéia do filósofo Locke, o qual dizia não poder existir mania sem delírio, ou seja, mania sem prejuízo do intelecto. Portanto, nessa época, os juizes não declaravam insanos nenhuma pessoa que não tivesse um comprometimento intelectual manifesto (normalmente através do delírio). Pinel e Pricharde tratavam de impor o conceito, segundo o qual, existiam insanidades sem comprometimento intelectual, mas possivelmente com prejuízo afetivo e volitivo (da vontade). Tal posição acabava por sugerir que essas três funções mentais, o intelecto, afetividade, e a vontade, poderiam adoecer independentemente.

Foi em 1835 que James Cowles Prichard publica sua obra Treatise on insanity and other disorders affecting the mind, a qual falava daInsanidade Moral. A partir dessa obra, o historiador G. Berrios (1993) discute o conceito da Insanidade Moral como o equivalente ao nosso atual conceito de psicopatia.

Morel
Morel, em 1857, parte do religioso para elaborar sua teoria da degeneração. O ser humano tinha sido criado segundo um tipo primitivo perfeito e, todo desvio desse tipo perfeito, seria uma degeneração. A essência do tipo primitivo e, portanto, da natureza humana, é a contínua supremacia ou dominação do moral sobre o físico. Para Morel, o corpo não é mais que “o instrumento da inteligência”.

A doença mental inverteria esta hierarquia e converteria o humano “em besta”. Uma doença mental não é mais que a expressão sintomática das relações anormais que se estabelecem entre a inteligência e seu instrumento doente, o corpo.

A degeneração de um indivíduo se transmite e se agrava ao longo das gerações, até chegar à decadência completa (Bercherie, 1986). Alguns autores posteriores, como é o caso de Valentím Magnam, suprimiram o elemento religioso das idéias de Morel e acentuaram os aspectos neurobiológicos. Estes conceitos afirmavam a ideologia da hereditariedade e da predisposição em varias teorias sobre as doenças mentais.

Koch e Gross
Em 1888, Koch (Schneider, 1980) fala de Inferioridades Psicopáticas, mas se refere à inferioridades no sentido social e não moral, como se referiam anteriormente. Para Koch, as inferioridades psicopáticas eram congênitas e permanentes e divididas em três formas:

– disposição psicopática,
– tara psíquica congênita e
– inferioridade psicopática.

Dentro da primeira forma, Disposição Psicopática, se encontram os tipos psicológicos astênicos, de Schneider. A Tara inclui a “as almas impressionáveis, os sentimentais lacrimosos, os sonhadores e fantásticos, os escrupulosos morais, os delicados e susceptíveis, os caprichosos, os exaltados, os excêntricos, os justiceiros, os reformadores do estado e do mundo, os orgulhosos, os indiscretos, os vaidosos e os presumidos, os inquietos, os malvados, os colecionadores e os inventores, os gênios fracassados e não fracassados”. Todos estes estados são causados por inferioridades congênitas da constituição cerebral, mas não são consideradas doenças.

Otto Gross, por sua vez, dizia que o retardo dos neurônios para estabilizarem-se depois da descarga elétrica determinava diferenças no caráter. Assim em seu livro Inferioridades Psicopáticas, a recuperação neuronal rápida determinava indivíduos tranqüilos, e os de estabilização neuronal mais lenta, ou seja, com maior duração da estimulação, seriam os excitáveis, portadores dessa inferioridade.

Kraepelin
Kraepelin, quando faz a classificação das doenças mentais em 1904, usa o término Personalidade Psicopática para referir-se, precisamente, a este tipo de pessoas que não são neuróticos nem psicóticos, também não estão incluídas no esquema de mania-depressão, mas que se mantêm em choque contundente com os parâmetros sociais vigentes. Incluem-se aqui os criminosos congênitos, a homossexualidade, os estados obsessivos, a loucura impulsiva, os inconstantes, os embusteiros e farsantes e os querelantes (Schneider, 1980).

Para Kraepelin, as personalidades psicopáticas são formas frustras de psicose, classificadas segundo um critério fundamentalmente genético e considera que seus defeitos se limitam essencialmente à vida afetiva e à vontade (Bruno, 1996).

Schneider
Em 1923, Schneider elabora uma conceituação e classificação do que é, para ele, a Personalidade Psicopática. Schneider (1980) descarta no conjunto classificatório da personalidade atributos tais como, a inteligência, os instintos e sentimentos corporais e valoriza como elementos distintivos o conjunto dos sentimentos e valores, das tendências e vontades.

Para Kurt Schneider as Personalidades Psicopáticas formam um subtipo daquilo que classificava como Personalidades Anormais, de acordo com o critério estatístico e da particularidade de sofrerem por sua anormalidade e/ou fazerem outros sofrer.

Entretanto, a classificação de Personalidade Psicopática não pode ser reconhecida ou aceita pelo próprio paciente e, às vezes, nem mesmo por algum grupo social pois, a característica de fazer sofrer os outros ou a sociedade é demasiadamente relativo e subjetivo: um revolucionário, por exemplo, é um psicopata para alguns e um herói para outros.

Em conseqüência dessa relatividade de diagnóstico (devido à relatividade dos valores), não é lícito ou válido realizar um diagnóstico do mesmo modo que fazemos com as outras doenças. Resumindo, pode-se destacar neles certas características e propriedades que os caracterizam de maneira nada comparável aos sintomas de outras doenças. O Psicopata é, simplesmente, uma pessoa assim.

O psicopata não tem uma psicopatia, no sentido de quem tem uma tuberculose, ou algo transitório, mas ele É um psicopata. Psicopata é uma maneira de ser no mundo, é uma maneira de ser estável.

Como em tantas outras tendências, também há um certo determinismo na concepção de Schneider. Para ele os psicopatas são assim em toda situação vital e sob todo tipo de circunstâncias. O psicopata é um indivíduo que não leva em conta as circunstâncias sociais, é uma personalidade estranha, separada do seu meio. A psicopatia não é, portanto, exógena, sendo sua essência constitucional e inata, no sentido de ser pré-existente e emancipada das vivências.

Mas a conduta do psicopata nem sempre é toda psicopática, existindo momentos, fases e circunstâncias de condutas adaptadas, as quais permitem que ele passe desapercebido em muitas áreas do desempenho social. Essa dissimulação garante sua sobrevivência social.

Kurt Schneider, psiquiatra alemão, englobou no conceito de Personalidade Psicopática todos os desvios da normalidade não suficientes para serem considerados doenças mentais francas, incluindo nesses tipos, também aquele que hoje entendemos como sociopata. Dizia que a Personalidade Psicopática (que não tinha o mesmo conceito do sociopata de hoje) como aquelas personalidades anormais que sofrem por sua anormalidade e/ou fazem sofrer a sociedade.Ele distinguia os seguintes tipos de Personalidade Psicopática:

1) Hipertímicos,
2) Depressivos,
3) Inseguros,
4) Fanáticos,
5) Carentes de Atenção,
6) Emocionalmente Lábeis,
7) Explosivos,
8) Desalmados,
9) Abúlicos, e
10) Astênicos.

Evidentemente o que entendemos hoje por psicopata ou sociopata seriam, na classificação de Schnneider, os Desalmados. Muito mais tarde Mira y López definiu a Personalidade Psicopática como “…aquela personalidade mal estruturada, predisposta à desarmonia intrapsíquica, que tem menos capacidade que a maioria dos membros de sua idade, sexo e cultura para adaptar-se às exigências da vida social”. E considerava 11 tipos dessas personalidades anormais muito semelhantes aos tipos de Schnneider. Eram eles:

1) Astênica,
2) Compulsiva,
3) Explosiva,
4) Instaável,
5) Histérica,
6) Ciclóide,
7) Sensitivo-paranóide,
8) Esquizóide,
9) Perversa,
10) Hipocondríaca, e
11) Homosexual.

Cleckley
Em 1941 Cleckley escreveu um livro chamado “A máscara da saúde”, o qual se referia a este tipo de pessoas. Em 1964 descreveu as características mais freqüentes do que hoje chamamos psicopatas. Em 1961, Karpmam disse “dentro dos psicopatas há dois grandes grupos; os depredadores e os parasitas” (fazendo uma analogia biológica). Os depredadores são aqueles que tomam as cosas pela força e os parasitas tomam-nas através da astúcia e do engodo.

Cleckley, estabeleceu, em “A máscara da saúde”, alguns critérios para o diagnóstico do psicopata, em 1976, Hare, Hart e Harpur, completaram esses critérios. Somando-se as duas listas podemos relacionar as seguintes características:

1. Problemas de conduta na infância.
2. Inexistência de alucinações e delírio.
3. Ausência de manifestações neuróticas.
4. Impulsividade e ausência de autocontrole.
5. Irresponsabilidade
6. Encanto superficial, notável inteligência e loquacidade.
7. Egocentrismo patológico, autovalorização e arrogância.
8. Incapacidade de amar.
9. Grande pobreza de reações afetivas básicas.
10. Vida sexual impessoal, trivial e pouco integrada.
11. Falta de sentimentos de culpa e de vergonha.
12. Indigno de confiança, falta de empatia nas relações pessoais.
13. Manipulação do outro com recursos enganosos.
14. Mentiras e insinceridade.
15. Perda específica da intuição.
16. Incapacidade para seguir qualquer plano de vida.
17. Conduta anti-social sem aparente arrependimento.
18. Ameaças de suicídio raramente cumpridas.
19. Falta de capacidade para aprender com a experiência vivida.

Henry Ey
Henry Ey, em seu “Tratado de Psiquiatria”, inclui as Personalidades Psicopáticas dentro do capítulo das doenças mentais crônicas, as quais considera como um desequilíbrio psíquico resultante das anomalias caracteriológicas das pessoas. Cita as características básicas das Personalidades Psicopáticas como sendo a anti-sociabilidade e impulsividade (Bruno, 1996). A idéia dos Transtornos de Personalidade tal como sugerido pelo DSM começou em 1966 com Robins.

O que mais se percebe em relação à Personalidade Psicopática são as controvérsias entre os vários autores e nas várias épocas mas, de alguma forma, há uma perene tendência em se apontar para três conceitos básicos.

A primeira posição reflete uma tendência mais constitucionalista (intrínseca), entendendo que o psicopata se origina de uma constituição especial, geneticamente determinado e, em conseqüência dessa organicidade, pouco se pode fazer.

A segunda tendência é a social ou extrínseca, acreditando que a sociedade faz o psicopata, a sociedade faz a seus próprios criminosos por não lhes dar os meios educativos e/ou econômicos necessários.

Através da análise de dois sistemas educacionais para problemas comportamentais, como a escola inglesa Lymam, com um sistema disciplinar rígido, autoritário, duro, e a escola Wiltwyck, americana, onde a idéia era criar um ambiente cálido, afetuoso, propenso a amistosidade, uma “disciplina de amor” segundo cita Cinta Mocha (Garrido, 1993), pode-se contra-argumentar a tendência extrínseca da psicopatia. Os psicopatas constituíram o 35% da população em ambas escolas. A instituição americana Wiltwyck teve um marcante êxito inicial, mas a taxa de reincidência em atitudes anti-sociais, ao longo de alguns anos de acompanhamento, foi o mesmo.

A terceira escola é a psicanalista, que só trata das perversões em relação com a sexualidade. Quando o transtorno implica outras pulsões, Freud fala de libidinização da dita pulsão, a qual havia sido “pervertida” pela sexualidade. A perversão adulta aparece como a persistência ou reaparição de um componente parcial da sexualidade. A perversão seria uma regressão a uma fixação anterior da libido. Recordemos que, para Freud, a passagem à plena organização genital supõe:

a) superação do complexo de Édipo,
b) o surgimento do complexo de castração e
c) a concepção da proibição do incesto.

Assim a perversão chamada fetichismo é ligada à negação da castração. A perversão seria o negativo da Neurose, que faz da perversão a manifestação em bruto, não reprimida, da sexualidade infantil (Laplanche, 1981).

A maioria dos autores dessa época procurava substituir o conceito de “constituição psicopática” por “personalidades psicopáticas” já que sua etiologia não era claramente definida. Mas, apesar da etiologia não ser claramente entendida, o quadro clínico da personalidade psicopática foi sendo cada vez mais cristalinamente descrito.

K. Eissler, no final da década de 40, considerava os psicopatas como indivíduos com ausência de sentimentos de culpa e da ansiedade normal, superficialidade de objetivos de vida e extremo egocentrismo. Os irmãos Mc Cord, em 1956, descrevem sua “síndrome psicopática” com as seguintes características: escasso ou nenhum sentimento de culpa, capacidade de amar muito prejudicada, graves alterações na conduta social, impulsividade e agressão.

Outros autores, resumindo, nas décadas sucessivas de 60 e 70, foram também definindo os traços característicos da psicopatia com termos tais como; perturbações afetivas, perturbações do instinto, deficiência superegoica, tendência a viver só o presente, baixa tolerância a frustrações. Alguns classificam esse transtorno como anomalias do caráter e da personalidade, ressaltando sempre a impulsividade e a propensão para condutas anti-sociais (Glover, Henri Ey, Kolb, Liberman).

Classicamente, hoje em dia e resumindo a evolução do conceito, a Personalidade Psicopática tem sido caracterizada principalmente por ausência de sentimentos afetuosos, amoralidade, impulsividade, falta de adaptação social e incorregibilidade.

Neurofisiologia da Agressão

É necessário entender um pouco mais sobre a fisiologia da agressão para inserir, depois, a noção da sociopatia. Há nesse site uma página sobre Cérebro e Violência que pode completar o que se vê aqui agora.

Uma das hipóteses importantes na compreensão do funcionamento cerebral em relação à personalidade é aquela que trata de uma espécie de organização hierárquica do cérebro, anteriormente proposta Jackson, onde haveria centros superioresmédios e inferiores. Hoje se concebe a idéia segundo a qual os processos cerebrais ocorrem tanto através de uma “atitude” hierárquica, como também homogênea (vejaAssembléias Neuronais na fisiologia da consciência.

Dessa forma, o cérebro humano resultaria da integração de “três cérebros” distintos, com diferentes características estruturais, neurofisiológicas e, especialmente, com diferentes performances comportamentais. Como herança de nossos antepassados, ou seja, dos répteis, dos mamíferos e dos primeiros primatas, possuímos um conjunto de estruturas nervosas chamadas de Gânglios da Base e o complexo Estriado. Essa é a parte mais primitiva do cérebro humano.

Juntamente com as estruturas neuronais acima, o ser humano possui também a medula espinhal, o bulbo e a protuberância, formando parte do cérebro posterior e do cérebro médio, ou mesencéfalo. Essas estruturas comportam os mecanismos básicos da reprodução e da autoconservação, incluindo a regulação do ritmo cardíaco, da circulação sanguínea e da respiração. Nos peixes e anfíbios essas estruturas formão quase o cérebro todo.

Essa introdução é importante porque mostra alguns elementos comuns ao ser humano e aos répteis, provenientes de algumas estruturas cerebrais arcaicas. As atitudes favorecidas por essas estruturas antigas seriam, por exemplo, a seleção do lugar, a territorialidade, o envolvimento na caça, o acasalamento e, também, alguns mecanismos que intervêm na formação da hierarquia social, como a seleção de líderes. Aqui que se daria também a participação nos comportamentos ritualistas. São condutas que existem naturalmente nos animais inferiores e, devidamente domesticadas, no ser humano.

Em torno das estruturas do cérebro antigo ou arque-cérebro, se encontra o Sistema Límbico. Esse sistema, que é o maior responsável pela emoção, já aparece muito rudimentarmente nos répteis, algo mais desenvolvido nos mamíferos e bem mais completo no ser humano.

O comportamento dos mamíferos, das classes mais inferiores até as mais desenvolvidas, incluindo os humanos, difere dos répteis por conta da enorme variedade de comportamentos possíveis, sendo os répteis bem mais limitados, e também porque nos mamíferos já aparece a emoção, tão mais elaborada quanto mais desenvolvido for o Sistema Límbico. São do Sistema Límbico as expressões de fúria do gato, do cão, algo semelhantes às atitudes de fúria do ser humano. Nos répteis não notamos nenhuma expressão dessa natureza.

Acrescenta-se que a quase totalidade dos psicofármacos atua no Sistema Límbico. Também os sistemas neuroendócrino, neuroimune, neurovegetativo, os ritmos circadianos, são todos fortemente influenciados pelas emoções, pelo Sistema Límbico (veja Sistema Límbico e Emoções

Uma parte importantíssima dessa região límbica é a chamada Amígdala, que tem um papel transcendente na agressividade. Também existem motivos para acreditar que a base do comportamento altruísta se encontra no Sistema Límbico. O amor, assim como o comportamento altruísta, parecem ser aquisições do Sistema Límbico humano. Em pesquisas, a destruição experimental das Amígdalas (são duas, uma para cada um dos hemisférios cerebrais) faz com que o animal se torne dócil, sexualmente indistinto, afetivamente descaracterizado e indiferente ás situações de risco.

O estímulo elétrico agindo nas Amígdalas provoca crises de violenta agressividade. Em humanos, a lesão da Amígdala faz, entre outras coisas, com que o indivíduo perca o sentido afetivo da percepção de uma informação vinda de fora, como a visão de uma pessoa conhecida ou querida. Ele sabe quem está vendo, mas não sabe se gosta ou desgosta da pessoa que vê.

Localizada na profundidade de cada lobo temporal anterior, as Amígdalas funcionam de modo íntimo com o Hipotálamo. É o centro identificador de perigo, gerando medo e ansiedade e colocando o animal em situação de alerta, preparando-o para fugir ou lutar, estariam assim, envolvidas na produção de uma resposta ao medo e outras emoções negativas.

As áreas cerebrais mais primitivas relacionadas à agressão, mais precisamente à agressão depredadora, são estruturas filogenéticamente muito antigas, onde se inclui o hipotálamo, o tálamo, o mesencéfalo, o hipocampo e, como já vimos, as Amígdalas. (veja Cérebro e Violência. As Amígdalas e o Hipotálamo trabalham em estreita harmonia, de tal forma que um comportamento de ataque pode ser acelerado ou retardado, estimulado ou inibido, dependendo da interação entre estas duas estruturas.

Finalmente, na escala filogenética, aparece o neocórtex, a parte mais jovem do cérebro. Esse neocórtex já existe em estado rudimentar nos mamíferos inferiores, e sofre um desenvolvimento impressionante nos primatas. O processo evolutivo da neocórtex explode em velocidade na linha dos ancestrais homínidos em comparação com outros animais, e essa evolução abrupta surpreende também nos grandes mamíferos aquáticos.

A agressão requer a participação destas antigas estruturas cerebrais (Amígdalas, Núcleos da Base e Complexo Estriado) e sem elas não haveria a agressão. Porém, a verdadeira agressão planejada, ou talvez, elaborada segundo algum objetivo, ou talvez ainda os subprodutos da agressão, perversidade e destrutividade, precisa de redes neuronais complexas (veja Assembléias Neuronais) e abrangentes e envolve principalmente o Sistema Límbico.

Assim, até chegar ao estágio cerebral atual, o ser humano é fruto de uma evolução anatômica e funcional.

Cérebro e Personalidade

A personalidade inclui, em meio a todos seus traços, a cognição e a percepção (veja Percepção e Representação da Realidade). Essas atividades representam uma operação complexa baseada em redes neuronais intrincadas e perfeitamente integradas, as quais Eduardo Mata chama de Módulos, portanto, a atividade cerebral seria do tipo modular.

A sobrevivência exige funcionamento adequado, muitas vezes automático e inconsciente, de uma quantidade de módulos que tratam muitos fatores simultaneamente: a motivação, a percepção do ambiente, noção do que é necessário para sobreviver, regulação dos impulsos agressivos e sexuais, formação das relações com outros indivíduos, regulação dos comportamentos intencionais e inibição dos inapropriados.

Portanto, quanto mais eficientes forem esses módulos (Assembléias Neuronais), melhor desempenho terá a pessoa e melhor apreensão da situação existencial (no mundo), ou seja, a consciência global é conseqüência da notável capacidade de organização e integração neuronais que o organismo possui.

Todo esse procedimento adaptativo resultante das Assembléias Neuronais não se faz de maneira linear, seu curso e seqüência não se pode prever. Na pessoa normal parece que não basta a compreensão dos fenômenos químicos ou físicos para predizer como se dará a sucessão de atitudes adaptativas, tais como o autocontrole, a iniciativa, a regulação do afeto, do juízo, a destrutividade, o planejamento da fuga ou do ataque. De modo geral, há maior ou menor probabilidade da pessoa reagir assim ou assado mas as atitudes serão sempre circunstanciais, sem que tenhamos certeza da previsão.

Quando conseguimos prever a maneira com que a pessoas reagirá, como atuará em determinadas circunstâncias, em outras palavras, quando a pessoa reage sempre dessa ou daquela maneira diante das circunstâncias, e quando essas atitudes fazem sofrer (ela ou os outros), provavelmente estaremos diante de um Transtorno da Personalidade

Transtornos tais como os casos de Personalidade Múltipla, Personalidade Borderline e Transtornos Dissociativos poderiam ser considerados, pelo menos em parte, como perturbações de funcionamento ou da integração das redes neuronais. Isso caracterizaria uma perturbação do sistema cérebro/mente, a qual poderia ter causas biológicas e/o determinadas pela experiência.

Uma observação interessante é a crescente habilidade das crianças e adolescentes para regular sua conduta, à medida que o cérebro amadurece. Esse amadurecimento parece ser conseqüência não só da experiência, senão também da mielinização das áreas pré-frontais com as conseqüentes alterações nas redes neuronais. Trata-se de um processo que continua até o fim da vida (em velocidade e quantidade decrescentes).

Este modelo modular é também consistente com as pesquisas em relação à compatibilidade do humor com a memória. Partem das observações de que quando se tem determinado estado de humor, há tendência em se ter recordações específicas. Parece ter sido ativada pelo estado de humor uma rede neuronal específica, parece ainda que ao ativar determinada rede neuronal há bloqueio ao acesso a outras representações. Talvez seja por isso que o aconselhamento otimista para quem está deprimido tenha tão escasso resultado, pois a depressão favorece certo tipo de lembranças, recordações, conclusões e fantasias.

Na historia das teorias neurobiológicas da personalidade, registra-se que no século IV antes de Cristo, Hipócrates havia precisado a existência de quatro estilos diferentes de personalidade baseado noshumores. Mais de vinte séculos depois ainda não se tem uma teoria neurobiológica absolutamente precisa, mas, não obstante, na última década do século XX, a chamada “década do cérebro”, produziu-se avanços significativos na neurociência, em particular na área da neuroquímica.

As pesquisas sobre a Personalidade Psicopática têm enfocado ora alguns aspectos sintomáticos, ora outros. Alguns estudos enfocam essa alteração da personalidade em relação às condutas delituosas, à violência, dificuldades no controle dos impulsos, sexualidade de risco e desordenada e consumo abusivo de substâncias.

Algumas linhas de pesquisa têm dedicado considerável atenção aos aspectos anti-sociais e criminais desse transtorno, enquanto outros começam a se preocupar com a falta de empatia e loqüacidade comum aos psicopatas. Ressaltam-se ainda as pesquisas em relação ao encanto superficial dos psicopatas, à falta de arrependimentos, à incapacidade para amar e à gritante irresponsabilidade. São escassas ainda as pesquisas sobre a Personalidade Psicopática e as condutas terroristas.

Atualmente o estudo da Personalidade Psicopática permite fazer a distinção entre duas estruturas. A primeira delas (Fator 1), agrupa os sintomas de eloqüência, falta de sentimentos de arrependimento ou culpa, afetos superficiais, falta de empatia, e extrema dificuldade em aceitar responsabilidades. Esta variante não caracteriza necessariamente a pessoa anti-social, antes disso, parece caracterizar uma grande puerilidade ou defeito na maturidade plena da personalidade.

A segunda estrutura (Fator 2) consiste nos verdadeiros traços anti-sociais, ou seja, na agresividade e na falta de controle dos impulsos. OFator 1 não está necessariamente associado ao Fator 2, mas este sim,para que seja dado diagnóstico de Psicopatia, deve obrigatoriamente ter como pré-requisito o Fator 1.

Lewis cita, entre outros, as tipologias de Blackburn. Esse autor refere que, enquanto a psiquiatria norteamericana define a conduta anti-social em termos comportamentais, outras definções têm se preocupado com as alterações emocionais.

Existem dois grupos em relação a esse aspecto. Um deles formado por pessoas com escassos ou nenhum sentimento de arrependimento ou culpa referentes à sua conduta anormal e têm pouca ou nenhuma empatia para com seus pares embora se façam simpáticos e agradáveis (Fator 1, de Hare). Parece que o critério de observação é ético por excelência.

O outro grupo é formado por pessoas com tendências neuróticas: apesar da conduta anormal apresentam emotividade excesiva e queixas de conflito interno em relação à culpa, ansiedade, depressão, arrependimento, paranóia, e outros sintomas neuróticos. Aqui os critérios de observação são psicodinâmicos, psicopatológicos. No primeiro caso é a chamada Psicopatia Primária (verdadeira), e a segunda Psicopatia Secundária.

Segundo idéias de Zuckermam (1, 2), uma das características do psicopata seria um marcante traço da personalidade caracterizado por Psicoticismo, Impulsividade, Busca de Sensações e atitudes não socializadas, porém, esse supertraço sociopático não estaria presente só na Personalida Psicopática, mas também na Personalidade Borderline.

Fowles ressalta a “falta de medo” dos psicopatas, mas só na Psicopatia Primária, ou seja, naqueles que não sentem ansiedade. Horvath e Zuckerman afirmam que, na busca de sensações e experiências intensas, os psicopatas assumem diversos tipos de riscos, como por exemplo, trabalhos ou esportes perigosos, inprudência ao dirigir, exposição a situações ilegais, uso abusivo de drogas, sexo inseguro. Na vida militar costumam aceitar voluntariamente missões voluntárias de risco.

Principais Sintomas
Tem havido bastante controvérsia em relação ao conceito de Personalidade Psicopática ou Anti-social. Há autores que diferenciam psicopata de anti-social, mas, em nosso caso, essa distinção é dispensável em benefício do melhor entendimento do conceito. Howard sugere que os conceitos de psicopatia podem agrupar-se em três tipos:

1) Um tipo Sociopata, caracterizado por conduta anti-social crônica que começa na infância ou adolescência como Transtorno de Conduta;

2) Um tipo Secundário,  caracterizado por um traço de personalidade com alto nivel de impulsividade, isolamento social, e perturbações emocionais (a conduta sociopática seria secundária à essas alterações emocionais e da sociabilidade); e

3) Um tipo Primário caracterizado apenas por a impulsividade sem isolamento social e perturbações emocionais (a qual pode-se aplicar aos criminosos comuns).

Isso não implica que cada um desses três tipos seja mutuamente excludente; a sociopatia é vista como um conceito amplo que engloba tanto a psicopatia primária como a secundária, assim como uma alta proporção de criminosos comuns.

Otto Kemberg classifica a sociopatia de moso diferente. Para ele é extremamente difícil fazer o diagnóstico da psicopatia, quando a situação clínica não está claramente definida.

Autores psicanalíticos consideram a Psicopatia como uma grave patologia do Superego como sendo uma síndrome de Narcisismo Maligno, cujas características seriam a conduta anti-social, agressão ego-sintônica dirigida contra outros em forma de sadismo, ou dirigida contra se mesmo em forma de tendências automutiladoras ou suicidas sem depressão e conduta paranóide.

A estrutura de tipo narcisística do psicopata teria a seguintes características: auto-referência excessiva, grandiosidade, tendência à superioridade exibicionismo, dependência excessiva da admiração por parte dos outros, superficialidade emocional, crises de insegurança que se alternam com sentimentos de grandiosidade.

Portanto, dentro das relações de objeto (com os outros), seria intensa a rivalidade e inveja, consciente e/ou inconscientemente, refletidos na contínua tendência para exploração do outro, incapacidade de depender de outros, falta de empatia com para com outros, falta de compromisso interno em outras relações.

Otto Kemberg vê neste narcisismo patológico um componente psicodinâmico para o diagnóstico da psicopatia. O narcisismo não patológico é conseqüência de uma boa evolução do Ego, uma aceitação da realidade e como essa realidade pode ser usada para satisfazer as necessidades dirigidas ao exterior e ao objeto. As pessoas que não realizaram bem esta formação, por não haver interiorizado suficiente amor e estima recebidos do meio, acabam por desenvolver defesas narcisistas muito fortes.

Narcisismo Maligno 
Muitas vezes é extremamente difícil fazer o diagnóstico da psicopatia, quando a situação clínica não está claramente definida. Por isso Otto Kernberg faz um diagnóstico diferencial entre três tipos de ocorrências anti-sociais:

1) A Síndrome do Narcisismo Maligno, representando o Psicopata cuja eventual causa da sociopatia seria fruto do meio e de elementos psicodinâmicos. Aqui a conduta anti-social tem origem no Narcisismo Maligno, há incapacidade em estabelecer relações que não sejam exploradoras, não existe capacidade de identificar valores morais, não existe capacidade de compromisso com os outros e não há sentimentos de culpa;

2) A Estrutura Anti-Social Propriamente Dita. Aqui o quadro é basiacamente o mesmo da anterior, ou seja, também se manifestam condutas anti-sociais mas não há o fenômeno do Narcisismo Maligno. Há também incapacidade de relações não exploradoras, incapacidade de identificação dos valores morais, incapacidade de compromisso com outros e incapacidade de sentimentos de culpa.

3) A Personalidade Narcisística com Conduta Anti-social. Além da conduta anti-social existe uma estrutura narcisística. Não há Narcisismo Maligno, há igualmente incapacidade de relações não exploradoras, incapacidade de identificar valores morais, incapacidade de compromisso com os outros, porém, existe capacidade de sentimento de culpa (Kernberg, 1988).

Principais Sintomas
1. – Encanto superficial e manipulação

Nem todos psicopatas são encantadores, mas é expressivo o grupo deles que utilizam o encanto pessoal e, conseqüentemente capacidade de manipulação de pessoas, como meio de sobrevivência social.

Através do encanto superficial o psicopata acaba coisificando as pessoas, ele as usa e quando não o servem mais, descarta-as, tal como uma coisa ou uma ferramenta usada. Talvez seja esse processo de coisificação a chave para compreendermos a absoluta falta de sentimentos do psicopata para com seus semelhantes ou para com os sentimentos de seu semelhante. Transformando seu semelhante numa coisa, ela deixa de ser seu semelhante.

O encanto, a sedução e a manipulação são fenômenos que se sucedem no psicopata. Partindo do princípio de que não se pode manipular alguém que não se deixe manipular, só será possível manipular alguém se esse alguém foi antes seduzido.

2. – Mentiras sistemáticas e Comportamento fantasioso. 
Embora qualquer pessoa possa mentir, temos de distinguir a mentira banal da mentira psicopática. O psicopata utiliza a mentira como uma ferramenta de trabalho. Normalmente está tão treinado e habilitado a mentir que é difícil captar quando mente. Ele mente olhando nos olhos e com atitude completamente neutra e relaxada.

O psicopata não mente circunstancialmente ou esporadicamente para conseguir safar-se de alguma situação. Ele sabe que está mentindo, não se importa, não tem vergonha ou arrependimento, nem sequer sente desprazer quando mente. E mente, muitas vezes, sem nenhuma justificativa ou motivo.

Normalmente o psicopata diz o que convém e o que se espera para aquela circunstância. Ele pode mentir com a palavra ou com o corpo, quando simula e teatraliza situações vantajosas para ele, podendo fazer-se arrependido, ofendido, magoado, simulando tentativas de suicídio, etc.

É comum que o psicopata priorize algumas fantasias sobre circunstâncias reais. Isso porque sua personalidade é narcisística, quer ser admirado, quer ser o mais rico, mais bonito, melhor vestido. Assim, ele tenta adaptar a realidade à sua imaginação, à seu personagem do momento, de acordo com a circunstância e com sua personalidade é narcisística. Esse indivíduo pode converter-se no personagem que sua imaginação cria como adequada para atuar no meio com sucesso, propondo a todos a sensação de que estão, de fato, em frente a um personagem verdadeiro.

3. – Ausência de Sentimentos Afetuosos
Desde criança se observa, no psicopata, um acentuado desapego aos sentimentos e um caráter dissimulado. Essa pessoa não manifesta nenhuma inclinação ou sensibilidade por nada e mantém-se normalmente indiferente aos sentimentos alheios.

Os laços sentimentais habituais entre familiares não existem nos psicopatas. Além disso, eles têm grande dificuldade para entender os sentimentos dos outros mas, havendo interesse próprio, podem dissimular esses sentimentos socialmente desejáveis. Na realidade são pessoas extremamente frias, do ponto de vista emocional.

4. – Amoralidade
Os psicopatas são portadores de grande insensibilidade moral, faltando-lhes totalmente juízo e consciência morais, bem como noção de ética.

5. – Impulsividade
Também por debilidade do Superego e por insensibilidade moral, o psicopata não tem freios eficientes à sua impulsividade. A ausência de sentimentos éticos e altruístas, unidos à falta de sentimentos morais, impulsiona o psicopata a cometer brutalidades, crueldades e crimes.

Essa impulsividade reflete também um baixo limiar de tolerância às frustrações, refletindo-se na desproporção entre os estímulos e as respostas, ou seja, respondendo de forma exagerada diante de estímulos mínimos e triviais. Por outro lado, os defeitos de caráter costumam fazer com que o psicopata demonstre uma absoluta falta de reação frente a estímulos importantes.

6. – Incorregibilidade
Dificilmente ou nunca o psicopata aceita os benefícios da reeducação, da advertência e da correção. Podem dissimular, como dissemos, durante algum tempo seu caráter torpe e anti-social, entretanto, na primeira oportunidade voltam à tona com as falcatruas de praxe.

7. – Falta de Adaptação Social
Já nos primeiros contatos sociais o psicopata, desde criança, manifiesta uma certa crueldade e tendência a atividades delituosas. A adaptação social também fica comprometida, tendo em vista a tendência acentuada do psicopata ao egocentrismo e egoísmo, características estas percebidas pelos demais e responsável pelas dificuldades de sociabilidade.

Mesmo no meio familiar o psicopata tem dificuldades de adaptação. Durante o período escolar tornam-se detestáveis tanto pelos professores quanto pelos colegas, embora possam dissimular seu caráter sociopático durante algum tempo. Nos empregos a inconstância é a característica principal.

Personalidade Psicopática, Sociopata, Personalidade Anti-social ou Dissocial ? 
Alguns autores não vêem como sinônimo, a Personalidade Psicopática e a Personalidade Anti-social. A Personalidade Anti-social, segundo os autores que a diferenciam da psicopática, se constitui num caso mais franco, declarado e aberto de anomalias no relacionamento, ou seja, menos dissimulado e teatral que a psicopática. Essas pessoas costumam ser mais impetuosas, contestam com mais franqueza as normas sociais, criam mais transtornos e animosidades com os demais e, por fim, estão mais associados aos fatores de criminalidade que os psicopatas.

De acordo com essa visão, os psicopatas costumam ser até mais perigosos que os sociopatas, tendo em vista sua maneira dissimulada de ocultar a índole contraventora. Os sociopatas atentam contra as normas sociais mais abertamente que os psicopatas.

Para nós, e creio que academicamente também, será benéfico tomar o sociopata e o psicopata como a mesma ocorrência. O DSM.IV chama esses casos de Personalidades Anti-sociais e a CID.10 de Personalidades Dissociais, ambos afastando-se da denominação Psicopata. Isso se deve, exclusivamente, à natureza etimológica da palavra. Por uma questão de coerência, assim como a cardiopatia significa qualquer patologia que acontece sobre o coração, o termo psicopatia deveria referir-se a qualquer patologia psíquica. Portanto não é correto, etimologicamente, chamar de psicopatas apenas os sociopatas. (Veja esses transtornos no DSM.IV e na CID.10 como Personalidade Dissocial).

F   2 1 0
1 Eloqüência      
1 Encanto e simpatia superficiais      
1 Sensação de grandiosidade e de autovalia      
1 Mentiras patológicas      
1 Autoridade e mando      
1 Manipulação      
1 Falta de arrependimento e culpa      
1 Afetos superficiais      
1 Instabilidade      
1 Falta de empatia para com os outros      
1 Fracasso de aceitar responsabilidade das própias ações      
2 Necesidade de estimulação continuada      
2 Tendência ao aborrecimento      
2 Estilo de vida de parasita      
2 Pouco controle da conduta      
2 Problemas de conduta precoces      
2 Falta de metas realistas a longo prazo      
2 Impulsividade      
2 Irresponsabilidade      
2 Delinqüência juvenil      
  Total      

Pontuação:
Os traços são separados em duas categorias; F1 e F2, sendo:
F1= Traços centrais da psicopatia.
F2= Traços de instabilidade.
Valoração:
– 2 Pontos: quando a conduta do sujeito é consistente e se ajusta à intenção do item.
– 1 Ponto: a conduta do sujeito se ajusta em certa medida mas não no grau suficiente para pontuar 2. Existem dúvidas, conflitos na informação que não podem resolver-se a favor da pontuação 2, nem tampouco em 0.
– 0 Ponto: o item não se aplica. O sujeito não mostra o traço ou a conduta na questão que propõe o item.

Conclusão:
0-20: normal.
21-30: grupo médio.
31 o mais: psicopata.

Quanto maior o número de pontos no grupo F2 mais grave a psicopatia

Referência especial:
Acad. Prof. Dr. Hugo Marietán, Alcmeon, número 27, 1998. Veja emhttp://www.alcmeon.com.ar/8/31/Marietan.htm

Ballone GJ – Personalidade Psicopática – in. PsiqWeb, Internet, disponível em http://www.psiqweb.med.br/, revisto em 2006

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CID 10

Dissocial, Personalidade
F60.2 – PERSONALIDADE DISSOCIAL

Transtorno de personalidade caracterizado por um desprezo das obrigações sociais, falta de empatia para com os outros. Há um desvio considerável entre o comportamento e as normas sociais estabelecidas.

O comportamento não é facilmente modificado pelas experiências adversas, inclusive pelas punições. Existe uma baixa tolerância à frustração e um baixo limiar de descarga da agressividade, inclusive da violência.

Existe uma tendência a culpar os outros ou a fornecer racionalizações plausíveis para explicar um comportamento que leva o sujeito a entrar em conflito com a sociedade.

Inclui:
Personalidade (transtorno da):
· amoral
· anti-social
· associal
· psicopática
· sociopática
Exclui:
transtorno (de) (da):
· conduta (F91.-)
· personalidade do tipo instabilidade emocional (F60.3)

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A psicopatia é um distúrbio mental grave caracterizado por um desvio de caráter, ausência de sentimentos genuínos, frieza, insensibilidade aos sentimentos alheios, manipulação, egocentrismo, falta de remorso e culpa para atos cruéis e inflexibilidade com castigos e punições. Apesar da psicopatia ser muito mais frequente nos indivíduos do sexo masculino, também atinge as mulheres, em variados níveis, embora com características diferenciadas e menos específicas que a psicopatia que atinge os homens.

Embora popularmente a psicopatia seja conhecida como tal, ou como “sociopatia”, cientificamente, a doença é denominada como sinônimo do diagnóstico do transtorno de personalidade antissocial.

Mesmo que não demonstrem socialmente, a característica principal da psicopatia é um forte traço narcisista enraizado na personalidade.

->São indivíduos megalomaníacos (se acham superior às outras pessoas), imprevisíveis, sem escrúpulos, excessivamente egoístas e egocêntricos.

->São charmosos e manipuladores e podem dizer isso com o maior orgulho. Essa característica narcisista é muito mais acentuada do que os próprios portadores do transtorno de personalidade narcisista. Embora estes últimos com frequência demonstrem, de primeira, a todos o seu narcisismo, os psicopatas, a princípio nunca demonstram; entretanto, suas atitudes são típicas de alguém cujo “amor-próprio” é elevado.

->Podem ser excessivamente opiniáticos, auto-suficientes ou vaidosos. Por isso, a principal característica de quem carrega o distúrbio consigo é ter os seus próprios interesses sempre em primeiro lugar, o tempo todo.

->Como são muito individualistas, essas pessoas precisam se sentir estimuladas todo o tempo, e não se importam com as pessoas que estão ao redor.

->São exagerados: comem demais, praticam sexo demais, dormem demais, folgam demais, não tem responsabilidade e quando trabalham, é só para conseguir dinheiro e poder.Mesmo assim, enjoam facilmente e tendem a abandonar o emprego por puro tédio e monotonia.

->São indivíduos incapazes de se integrar a qualquer grupo, devido ao seu egoísmo absoluto e a não aceitarem qualquer tipo de regras. Só o que eles querem é o que interessa. É só ele, o outro só serve para o uso dele.

->Aparentemente eles apresentam transtornos como impulsividade, teimosia e dificuldades em seguir regras, o que os torna rebeldes por natureza. É bom que se diga que a psicopatia não é uma doença mental, é um estado da mente de alguns indivíduos que nascem assim e assim morrerão.

->Não existe nenhum tratamento eficaz, nem psiquiátrico nem medicamentoso para tratar da psicopatia.

->De maneira geral, nos homens, o transtorno tende a ser mais evidente antes dos 15 anos de idade, e nas mulheres pode passar despercebido por muito tempo, principalmente porque as mulheres psicopatas parecem ser mais discretas e menos impulsivas que os homens, e por se tratar de um transtorno de personalidade, o distúrbio tem eclosão evidente no final da adolescência ou começo da idade adulta, por volta dos 18 anos e geralmente acompanha por toda a vida.

 

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O poderoso chefão

ELE AINDA MANDA EM MINISTRO, SENADOR…

Há muitas histórias em torno das atividades do ex-ministro José Dirceu. VEJA revela a verdade sobre uma delas: mesmo com os direitos políticos cassados, sob ameaça de ir para a cadeia por corrupção, o chefe da quadrilha do mensalão continua o todo-poderoso comandante do PT.
Dirceu é um homem de negócios, mas continua a ser o homem do partido. O “ministro”, como ainda é tratado em tons solene pelos correligionários, mantém um “gabinete” num hotel de Brasília, onde despacha com senadores, deputados, o presidente da maior empresa estatal do país e até ministro de estado – reuniões que
acontecem em horário de expediente, como se ali fosse uma repartição pública. E agora com um ingrediente ainda mais complicador: ele usa o poder e toda a influência que ainda detém no PT para conspirar contra o governo Dilma – e a presidente sabe disso.

O que leva personagens importantes e respeitá­veis, como os que apa­recem nas imagens que ilustram esta reporta­gem, a deixar seu local de trabalho para se reunir em um quarto de hotel com o homem acusado de che­fiar uma quadrilha responsável pelo maior esquema de corrupção da história do Brasil?

Alguns deles apresentam seus motivos: amizade, articulações políticas, análise econômica, às vezes até o simples acaso. Há quem nem sequer se lembre do encontro. Outros preferem não explicar. Depois de viver na clandestinidade durante parte do regime militar, o ex-ministro José Dirceu se tornou habitué dos holofotes com a redemocratização do país. Foi fundador e presidente do PT, elegeu-se três vezes deputado federal e comandou a estratégia que resultou na eleição de Lula para a Presidência da República. Como recompensa, foi alça­do ao posto de ministro-chefe da Casa Civil. Foi um período de ouro para ele. Dirceu comandava articulações no Con­gresso, negociava indicações de minis­tros para tribunais superiores, decidia o preenchimento de cargos e influenciava os mais apetitosos nacos da administra­ção federal, como estatais, bancos pú­blicos e fundos de pensão. Dirceu se jactava da condição de “primeiro-mi­nistro” e alimentava o próprio mito de homem poderoso.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Sua glória durou até que ele fosse abatido pelo escândalo do mensalão, em 2005, quando se desco­briu que chefiava também um bando de vigaristas que assaltava os cofres públi­cos. Desde então, tudo em que Dirceu se envolve é sempre enevoado por sus­peitas. Oficialmente, ele ganha a vida como um bem-sucedido consultor de empresas instalado em São Paulo. Mas Um Brasília, na mais absoluta clandes­tinidade outra vez, que ele continua a exercer o seu principal talento.

CONSPIRATA

No governo Lula, o ex-ministro Antonio Palocci perdeu o cargo depois de quebrar o sigilo bancário de um caseiro que o acusava de frequentar uma casa de lobistas. No governo Dilma, foi demitido por não conseguir explicar a origem de sua fortuna obtida de forma meteórica. Dessa última vez, no entanto, o processo de fritura de Palocci contou com a ajuda de José Dirceu

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A 3 quilômetros do Palácio do Pla­nalto, Dirceu mostra que suas garras estão afiadas. Ainda é chamado de “mi­nistro”, mantém um concorrido gabine­te num quarto de hotel, tem carro à dis­posição, motorista, secretário e, mais impressionante, sua agenda está sempre recheada de audiências com próceres da República – ministros, senadores e deputados. José Dirceu não vai até as autoridades. As autoridades é que vão a José Dirceu. Essa inversão de papéis poderia se explicar por uma natural demonstração de respeito pelos tempos em que ele era do governo. Não é. E uma efetiva demonstração de que o chefão ainda é poderoso. Dirceu tenta recuperar o prestígio político que tinha no governo Lula, usando como arma os muitos aliados que ainda lhe beijam o rosto. Convoca-os como soldados, quando necessário, numa tentativa de pressionar a presidente Dilma a atender a suas demandas. Ou de torná-la refém por meio da pressão dos partidos. Esse trabalho de guerrilha – e, em alguns momentos, de evidente conspiração – chegou ao paroxismo durante a crise que resultou na queda de Antonio Palocci da Casa Civil.

Naquela ocasião, início de junho, Dirceu despachou diretamente de seu bunker instalado na área vip de um hotel cinco-estrelas de Brasí­lia, num andar onde o acesso é restrito a hóspedes e pessoas autorizadas. Foram 45 horas de reuniões que sacramentaram a derrocada de Antonio Palocci e durante as quais foi articulada uma frustrada tentativa do grupo do ex-ministro de ocupar os espaços que se abririam com a demissão. Articulação mi­nuciosamente monitorada pelo Palácio do Planalto, que já havia captado sinais de uma conspiração de Dirceu e de seu grupo para influir nos acontecimentos que ocorriam naquela semana – acontecimentos que, descobre-se agora, contavam com a participação de figuras do próprio governo.


Em 8 de junho, uma quarta-feira, Dirceu recebeu no hotel a visita do mi­nistro do Desenvolvimento, o petista Fernando Pimentel. Conversaram por 28 minutos. Sobre o quê? Pimentel diz não se lembrar da pauta nem de quem par­tiu a iniciativa do encontro. Admite, no entanto, falar com frequên­cia com o ex-ministro sobre o contexto brasileiro. É uma estranha aproxima­ção, mas que encontra ex­plicação na lógica que une e separa certos políticos de acordo com o interesse do momento. Próximo a Dil­ma desde quando era estudante, Pimentel defendeu, durante a campanha, a idéia de que a então candi­data do PT se afastasse ao máximo de Dirceu. Pimentel e Dirceu estavam em campos opostos. Naquela ocasião, o atual ministro do Desenvolvimento nu­tria o sonho de se tomar o futuro chefe da Casa Civil. Perdeu a chance depois de VEJA revelar que funcionários contratados por ele para trabalhar na campanha montaram um grupo de inteligência cujas tarefas envolviam, entre outras coisas, espionar e fabricar dossiês contra os adversários, principalmente o concorrente do PSDB à Presidência, José Serra. No novo governo, Pimentel foi preterido a Casa Civil em favor de Palocci. O mesmo Palocci que, no primeiro mandato de Lula, disputava com Dirceu o status de homem forte do governo e de candidato natural à Presidência da República. Um cacique petis­ta tenta explicar a união recente de Pimentel com José Dirceu: “No PT, é co­mum adversários num determinado instante se aliarem mais à frente para atingir um objetivo comum. Isso ocorre quando há uma conjunção de interesses”. Será que Pimentel queria se vingar de Palocci, a quem considerava um rival dentro do governo?

Dois dias antes, na segunda-feira, Dirceu esteve com José Sergio Ga­brielli, presidente da Petrobras. Ga­brielli enfrenta um processo de fritura desde o fim do governo Lula. A presi­dente Dilma não cultiva nenhuma sim­patia por ele. Palocci pretendia tirar Gabrielli do comando da estatal. Ga­brielli precisava – e precisa – do apoio, sobretudo do PT, para se manter no cargo. Dirceu é consultor de empre­sas do setor de petróleo e gás. Precisa manter-se bem informado no ramo para fazer dinheiro. É o famoso encontro da fome com a vontade de comer – ou conjunção de interesses. O presidente da Petrobrás, que trabalha no Rio de Janeiro, chegou à suíte ocupada pelo ex-ministro da Casa Civil, no 16° andar do hotel, ciceroneado por um ajudante de ordens. Permaneceu lá exatos trinta minutos. Ao sair, o presidente da Petro­bras, que chegou ao quarto de mãos va­zias, carregava alguns papéis consigo. Perguntado sobre a visita, Gabrielli li­mitou-se a desconversar: “Sou amigo dele há muito tempo, e não tenho que comentar isso com ninguém”. Naquela noite de segunda-feira, a demissão de Palocci já estava definida. O ministro não havia conseguido explicar a incrí­vel fortuna que acumulou em alguns meses prestando serviços de consultoria – a mesma atividade de Dirceu.

Na terça-feira, horas an­tes da demissão de Palocci, Dirceu recebeu para uma conversa de 54 minutos três senadores do PT: Delcídio Amaral, Walter Pinheiro e Lindbergh Farias. Esse últi­mo conta que foi ele quem pediu a audiência. Qual as­sunto? Falaram do furacão que assomava à porta da Casa Civil. “0 ministro Dirceu nunca falou um `ai’ contra o Palocci. Pelo con­trário, sempre tentou resol­ver a crise com a ajuda da nossa bancada”, garante Fa­rias. De fato, a bancada foi decisiva – mas para sepul­tar de vez a tentativa de Pa­locci de salvar a própria pe­le. Logo após o encontro com Dirceu, os três senado­res foram a uma reunião da bancada do PT e recusaram­se a assinar uma nota em defesa do então ministro­chefe da Casa Civil. Alega­ram que a proposta não ha­via sido combinada com o Planalto. Existiam outros motivos para a falta de entusiasmo: o trio também es­tava insatisfeito com Palocci. Delcídio reclamava do fato de não conseguir emplacar aliados em representações de órgãos federais em Mato Grosso do Sul, seu estado natal e berço político. “Num momento tenso como aquele, fui conversar com alguém que está sempre bem informado sobre os acontecimen­tos”, explicou Delcídio sobre o encon­tro com o poderoso chefão. Pinheiro estava contrariado com a demissão de um petista do comando da Polícia Ro­doviária Federal na Bahia. “0 encontro foi para fornecer material para que ele publicasse um artigo sobre o projeto de lei que trata da produção audiovisual no país”, disse ele. Lindbergh Farias, por seu turno, ainda digeria as tentati­vas fracassadas de ser recebido por Pa­locci. No fim da tarde de terça-feira, o ministro-chefe da Casa Civil entregou sua carta de demissão. E teve inicio a disputa pela sua sucessão.

Quando Gleisi Hoffmann já havia sido anunciada como substituta de Pa­locci, no mesmo dia 7 de junho, Dirceu recebeu o deputado petista Devanir Ri­beiro. Foram 25 minutos de conversa. Já era sabido que, no rastro da saída de Palocci, Luiz Sérgio, um aliado de Dir­ceu, deixaria o ministério das Relações Institucionais. Estava deflagrada a cam­panha para sucedê-lo – e Dirceu que­ria emplacar no cargo o deputado Cân­dido Vaccarezza, líder do governo na Câmara. Procurado por VEJA, Devanir, que é compadre do presidente ­Lula, negou que tivesse ido ao hotel conversar com Dirceu. Um lapso de memó­ria como deixa claro a ima­m nesta reportagem. “Faz muito tempo que eu não o vejo.” Na quarta-feira, 8 de junho, pela manhã, as articu­ações de Dirceu continua­m a pleno vapor. Ele rece­beu o próprio Vaccarezza. Durante 25 minutos, trata­ram, segundo o líder, do con­gresso do PT que será rea­lizado em setembro. “Con­verso com o Dirceu com reg­ularidade. Como o caso Palocci era palpitante, é possív­el que tenha sido aborda­do, mas não foi o tema cen­tral”, afirma o deputado – e, no início do governo Dilma, chegou a dar entrevistas como o futuro presi­dente da Câmara, mas aca­ubou convencido a desistir de disputar o cargo por ter per­dido apoio dentro do PT. A agenda do chefão não se limita aos companheiros de partido. Duas horas de­pois do encontro com Vacca­rezza, foi a vez de o senador peemede­bista Eduardo Braga adentrar o hotel. Segundo o parlamentar, ele e Dirceu se encontraram por obra do acaso, no lobby, uma coincidência. 0 senador conta que aproveitou a coincidência pa­ra auscultar os ânimos do PT sobre o projeto do novo Código Florestal: “Que­ria saber como o PT se posicionaria. Ninguém pode negar que a máquina partidária petista foi arquitetada e cons­truída pelo Dirceu. Ele respira o parti­do”. O PMDB também respira poder. Com o apoio de Dirceu, peemedebistas e petistas fecharam um acordo para pressionar o Planalto a indicar Vaccare­zza ao cargo de ministro de Relações Institucionais no lugar de Luiz Sérgio. A substituição nessa pasta foi realizada três dias depois da queda de Palocci. In­formada do plano de Dirceu, a presiden­te Dilma desmontou-o ao nomear para o cargo a ex-senadora Ideli Salvatti.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A presidente já havia sido advertida por assessores do perigo de delegar poderes a companheiros que or­bitam em tomo de Dirceu. Mas Dilma também conhece bem os caminhos da guerrilha política. Chamada de “minha camarada de armas” por ele quando lhe foi passado o co­mando da Casa Civil, em 2005, a presidente não perde de vista os passos do chefão. Como? Pedindo a algumas au­toridades que visitam Dirceu em Brasília informações sobre suas am­bições. “A Dilma e o PT, principalmen­te o PT afinado com o Dirceu, vivem uma relação de amor e ódio. Mas hoje você não pode imaginar um rompimen­to entre eles”, diz um interlocutor da confiança da presidente e do ex-minis­tro. E amanhã? Se Dilma se consolidar como uma presidente popular e, mais perigoso, um entrave a um novo manda­to de Lula, o tal rompimento entra no campo das possibilidades. “Nunca a turma do PT foi tão lulista como hoje. Imagine em 2014”, afirma um cardeal do partido. Ele é mais um, como Dir­ceu, insatisfeito com o fato de a legenda não ter conseguido, como previra o ex­ministro, impor-se à presidente da Re­pública. Dilma está resistindo bem. Uma faxina menos visível é a que ela está fazendo nos bancos públicos. Aos poucos, vem substituindo camaradas li­gados a Dirceu por gente de sua con­fiança. E o chefão não está nada conten­te com isso. Tanto que tem alimentado o noticiário com denúncias contra pes­soas muito próximas à presidente, na­quele tipo de patriotismo interessado que lhe é peculiar.

Procurado por VEJA, Dirceu não respondeu às perguntas que lhe foram feitas. A suíte reservada permanente­mente ao “ministro” custa 500 reais a diária. Para chegar de elevador, é preci­so ter um cartão de acesso especial.

NA RESIDÊNCIA

Dirceu passou três dias articulando com petistas, sem sucesso, nomes de sua preferência para a Casa Civil e para o Ministério de Relações Institucionais. Não conseguiu. A presidente Dilma escolheu Gleisi Hoffmann e Ideli Salvatti.

Ca­da quarto do andar recebe uma única cópia. Qualquer visita ao “ministro”, portanto, tem de ser conduzida ao an­dar. Esse trabalho de cicerone é feito por Alexandre Situas de Oliveira, um cabo da Aeronáutica, que foi assessor de Dirceu na Câmara dos Deputados até ele ter o mandato cassado. Hoje, o cicerone é empregado do escritório de advocacia Tessele & Madalena, que tem como um dos donos outro ex-as­sessor de Dirceu, o advogado Hélio Madalena. 0 advogado já foi flagrado uma vez de caso com a máfia – a rus­sa. Escutas feitas pela Polícia Federal mostraram que, na condição de asses­sor da Casa Civil, ele fazia lobby para conceder asilo político no Brasil ao magnata russo Boris Berezovski (ma­fioso acusado de corrupção e assassina­to).

Anotem alguns nomes cargos e dia do encontro: 

-Fernando Pimentel, Ministro da Indústria e Comércio (8/6);

 – José Sérgio Gabrielli, presidente da Petrobras (6/6);

– Walter Pinheiro, senador (PT-BA) – (7/6);

 – Lindberg Farias, senador (PT-RJ) – (7/6);

– Delcídio Amaral, senador (PT-MS) – (7/6);

– Eduardo Braga, senador (PMDB-AM) – (8/6);

– Devanir Ribeiro, deputado (PT-SP) – (7/6);

– Candido Vaccarezza, líder do governo na Câmara (PT-SP)

– (8/6); – Eduardo Gomes, deputado (PSDB-TO)

– (8/6); – Eduardo Siqueira Campos, ex-senador (PSDB-TO) – (8/6)

E Madalena foi flagrado outra vez na semana passada. É o seu escritório que paga a fatura do “gabinete” de José Dirceu. Na última quinta-feira, depois de ser indagado sobre o caso, Madalena instou a segurança do hotel Naoum a procurar uma delegacia de polícia para acusar o repórter de VEJA de ter tenta­

do invadir o apartamento que seu escri­tório aluga e, gentilmente, cede como “ocupação residencial” a José Dirceu. 0 jornalista esteve mesmo no hotel, in­vestigando, tentando descobrir que atração é essa que um homem acusado de chefiar uma quadrilha de vigaristas ainda exerce sobre tantas autoridades. Tentando descobrir por que o nome de­le não consta na relação de hóspedes. Tentando descobrir por que uma em­presa de advocacia paga a fatura de sua misteriosa “residência” em Brasília. Enfim, tentando mostrar a verdade so­bre as atividades de um personagem que age sempre na sombra. E conse­guiu. Mas a máfia não perdoa.                ∎

Ô MADALENA…
O advogado Hélio Madalena, ex-assessor de Dirceu na Casa Civil, tem um escritório de advocacia que paga as despesas do ministro no hotel cinco-estrelas que ele usa como “gabinete” para receber as autoridades de Brasília.
Também disponibiliza carro, motorista e um assessor De acordo com um relatório da Polícia Federal, o advogado, quando trabalhava no governo, fez
lobby pela concessão de asilo a um mafioso russo acusado de corrupção e assassinato. O advogado diz que cede o apartamento no hotel para “residência” de José Dirceu.

…E A QUADRILHA DO MENSALÃO CONTINUA AGINDO…!


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Entrevista: José Nêumanne Pinto (HD)

Em entrevista exclusiva aos colunistas migalheiros José Marcio Mendonça e Francisco Petros, o jornalista e poeta José Nêumanne Pinto comenta o lançamento de sua obra “O que sei de Lula”.

Comento: Mas ele mesmo disse que não podia falar tudo o que sabe. Infere-se que o perfil ético-moral do Kachacinha é impublicável. O que ele omite é o perfil sociopático do cidadão que ele chama de “gênio” da Política.

Pessoalmente acredito que as bandeiras e chavões ideológicos que camuflam os psicopatas servem de esconderijo para evitar expor à sociedade o histórico real de seus atos destrutivos e os atos dos que o cercam e apoiam.

Como disse o  Reinaldo Azevedo: “O nome da doença que assola o Brasil é Luiz Inácio Lula da Silva”.

Esse texto do RA já está no Youtube em forma de vídeo!

http://www.youtube.com/watch?v=kkTdzOpEm4U

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Conceitos de “religião” e de “religiosidade”

Não existem verdades absolutas. Todas elas são relativas e provisórias, pois cada pessoa as admite ou as rejeita segundo suas convicções e crenças individuais. Pessoalmente faço distinção entre os conceitos de “religião” e de “religiosidade”. São conceitos completamente diferentes.

Leia abaixo o trecho de um trabalho meu intitulado “A Origem da Violência”: Religião e violência

No senso comum, religião é entendida como prática religiosa. Religião e religiosidade são conceitos completamente diferentes. Religiosidade é uma condição inata, um atributo que nasce com o homem, natureza construtiva que o impele para viver em paz, social e individualmente. Religião é instituição humana, criada por homens, cujo objetivo é cultuar entidades divinizadas (Deus, Buda, Alá, Maomé, etc) cultuadas como superiores á natureza humana. As religiões são instituições com ideologias polimorfas, com rituais diferenciados (culto, missa), com representantes personificados (pastor, padre, rabino) e com hierarquia e funcionamento semelhantes aos de uma empresa, no que se refere á administração de bens, estrutura de organização e objetivos a atingir.

Algumas diferenças podem ser percebidas entre um conceito e outro, por exemplo: • Religiosidade é condição atemporal, individual, inerente ao plano da imaginação e do sentimento; religião é temporal, grupal, ideológica, socialmente organizada. • Religião se organiza por dogmas e hierarquia do grupo religioso; religiosidade se manifesta por atos mediados pelo bom senso (índole) individual. • Religiosidade é manifestação desvinculada de interesses materiais e corporativos; religião é influenciada por esses fatores. • Religião se origina da formação de classes numa sociedade (elites): governantes, sacerdotes, militares; religiosidade é uma condição intrínseca ao “modo de ser” espiritual de cada indivíduo.

• Religião e Estado são instâncias de poder numa sociedade, com influência política e com objetivos diversificados.

• Religião é conduzida por pessoas e pode levar á violência quando seus líderes mobilizam grupos para objetivos destrutivos (fanatismo). Ser religioso significa ser bom e construtivo em relação a si mesmo e aos outros. É pensar e sentir coletivamente (“ama a teu próximo como a ti mesmo”), um princípio construtivo de eqüidade, solidariedade e justiça, condições dirigidas para a paz e harmonia. Pertencer a uma religião é associar-se a um grupo de homens que professam uma crença determinada, afiliar-se á uma instituição religiosa e seguir seus preceitos. Portanto, nem sempre o homem expressa sua religiosidade, ao pertencer a um grupo religioso. Ele pode usar o “rótulo religioso” para alcançar objetivos individuais ou de grupo. Portanto, a prática religiosa nem sempre está vinculada à religiosidade. A condição de crença religiosa não necessita de conhecimento e nem de prova; a condição de conhecimento sim, pois é sempre uma verdade provisória, e como verdade (científica) é relativa e mutável. A condição da crença religiosa nem sempre é verdadeira, a não ser para o crente. Os determinismos científicos ou religiosos são condições que, levadas ao extremo, prejudicam o bom senso e alteram a convivência. As verdades existem espalhadas e não concentradas num só ponto. É necessário saber catá-las em toda a extensão do terreno. E podem ser misturadas, porque são compatíveis. O que seria dos olhos sem as pálpebras? Como explicar a polimorfia religiosa e sua evolução desde os tempos do politeísmo na antigüidade, ao monoteísmo das sociedades civilizadas? Um dos preceitos fundamentais das religiões está contido na frase: “paz na Terra aos homens de boa vontade…”; pelo número escandalosamente grande de religiões que possuímos, por que esse objetivo ainda não foi alcançado?

A religiosidade tem sido usada atualmente por algumas empresas que se auto-intitulam de “igrejas” para alcançarem metas financeiras. Será que a centralização numa entidade superior única (Deus, Jesus, Buda, Maomé) melhora a essência da religiosidade e se reflete no comportamento humano equilibrado? Se não me falha a memória li um livro em que o historiador conta que foi Diocleciano, um imperador romano, quem criou e difundiu o primeiro conceito de Deus único e todopoderoso. Conta que, aconselhado por um sacerdote, criou um Deus que centralizasse todas as crenças numa única crença. Segundo o sacerdote isso lhe proporcionaria maior atenção e grande poder sobre o povo. Deveria dar-lhe um nome bastante significativo e proibir todas as outras crenças, decretando severas sanções para os que não obedecessem o seu decreto. Como vê, os sacerdotes e os dirigentes daquela época já sabiam como manipular as pessoas para aumentar seu poder.

Todos os seres humanos possuem o direito de escolher suas próprias verdades. Nunca esqueça, porém, que elas são individuais…! Embora tenha nascido de uma família católica, optei por não me filiar a nenhuma das religiões existentes, pois acredito que todas elas foram criadas pelos homens; continuo fortalecendo minha religiosidade pois ela me faculta a oportunidade de ser construtivo e religioso no melhor sentido da palavra. Com ela consigo conviver bem com todos e me sentir feliz. Não acredito em ateu, pois esse é com certeza um blefe, uma condição incompatível com a natureza humana. Use sua crença com liberdade porque todo cidadão deve se sentir livre e feliz com suas verdades.

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